A fatura que se preenche sozinha lendo a folha de pagamento
Como troquei planilhas e conferência manual por um sistema que conta tudo o que aconteceu no mês e já joga o valor no fluxo de caixa.

Projeto · parte 1Financeiro (BPO)No ar
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Cobrar clientes de uma empresa de RH exigia contar tudo à mão, unidade por unidade. Eu construí um sistema que lê a folha de pagamento e monta a fatura sozinho. Com um clique, o valor vai para o fluxo de caixa. Ele ainda achou erros que a conferência manual deixaria passar. E os dados ficam protegidos, sem exposição na internet.
A conta que precisava ser feita unidade por unidade
Imagine que você só pode cobrar pelo que realmente fez no mês. Para isso, alguém precisa contar tudo: quantas pessoas foram contratadas, quantas saíram, quantas tiraram férias, quantas estavam na folha.
É assim numa empresa de BPO de RH. BPO é quando uma empresa entrega um serviço inteiro para outra cuidar. Nesse caso, a folha de pagamento, as admissões, as férias e as rescisões de outras empresas.
Todo mês, para cobrar cada cliente, era preciso contar o que aconteceu em cada unidade e preencher uma planilha de fatura diferente para cada uma. Eu mesmo fazia isso com scripts e planilhas, unidade por unidade. E o fluxo de caixa, aquela visão do dinheiro que entra e que sai, ficava em outra planilha, separado de tudo.
O que eu construí
Um sistema financeiro próprio que lê a folha de pagamento, monta a fatura de cada unidade sozinho e já leva o valor para o fluxo de caixa.
Como funciona na prática
O sistema vai até o TOTVS RM, que é o programa onde a folha das empresas é processada. Lá ele conta admissões, férias, rescisões, pessoas na folha e autônomos. Depois aplica as regras de cobrança de cada contrato e preenche a fatura.
São 11 modelos de fatura diferentes, e ele escolhe o certo para cada unidade. Também gera um PDF de conferência, com a lista de cada pessoa que foi contada. Assim, qualquer número pode ser checado.
Gerar Faturamento
As regras não são simples. Em algumas regiões o período de cobrança vai do dia 25 ao dia 24. Em outras, é o mês cheio. E uma rescisão por iniciativa do empregador conta como três serviços: o cálculo, o FGTS e o seguro desemprego. Quem conta no olho esquece detalhes assim. O sistema não esquece.
Uma preocupação minha era a segurança. O sistema não acessa o banco de dados direto. Ele conversa com um agente seguro, instalado na rede do cliente. Pense num porteiro que só entrega o que foi pedido e não deixa ninguém entrar. É o mesmo agente do meu BI de RH. Os dados não ficam expostos na internet.
Com um clique, a fatura gerada vira um recebimento previsto no fluxo de caixa. Ali aparecem o previsto e o realizado lado a lado, o que ainda falta receber e o que ainda falta pagar. O saldo do mês seguinte é calculado sozinho.
Fluxo de Caixa
O sistema tem ainda a tela de conciliação, para conferir o que estava previsto contra o que de fato aconteceu.
Conciliação
E a área de relatórios, para acompanhar os números.
Relatorios
Os erros que ninguém ia ver
A automação pegou falhas que passariam batido numa conferência manual. Uma regra contava zero rescisões porque lia a coluna errada. Uma fatura somava R$ 30 mil onde deviam ser R$ 600. Numa planilha, com dezenas de unidades para fechar, isso pode escapar.
Também tomei um susto: perdi o banco de dados do sistema e precisei recuperar do backup. Deu certo, mas aprendi a lição. Desde então, todo deploy, que é o ato de colocar uma versão nova no ar, é blindado e preserva os dados.
O que mudou
A fatura deixou de ser uma maratona de planilhas. A contagem sai da própria folha, as regras de cada contrato ficam registradas no sistema, e o fluxo de caixa passa a viver no mesmo lugar da cobrança.
Se você contrata um serviço assim, pergunte: como o valor da minha fatura é calculado? Dá para ver a lista de quem foi contado? Se você cuida de um sistema, pergunte também: onde está o backup e quando foi testado pela última vez?
Palavras com sublinhado pontilhado têm explicação: toque nelas.
⚙️ Por trás do sistemapara os curiosos de tecnologia
Tecnologias usadas
- Node.js: a base do sistema, que roda o servidor e as regras de cobrança.
- SQLite: um banco de dados leve, guardado em um único arquivo, que guarda faturas e fluxo de caixa.
- TOTVS RM e SQL Server: o sistema de folha e o banco onde ficam os dados que o sistema consulta.
- Excel e PDF: o sistema preenche as faturas em 11 modelos de planilha e gera o PDF de conferência.
- Cloudflare Tunnel: um túnel seguro que permite acessar o sistema sem abrir portas na internet.
Desafios técnicos
- Regras de contrato: períodos diferentes por região (dia 25 ao 24 ou mês cheio) e rescisão que vale três serviços.
- Agente seguro: o sistema não acessa o banco direto. Ele pede os dados a um agente instalado na rede do cliente.
- Perda do banco: recuperei do backup e passei a blindar o deploy para preservar os dados.
- Bugs pegos pela automação: uma regra lendo a coluna errada e uma fatura de R$ 30 mil no lugar de R$ 600.
Uma fatura com valor muito errado sempre é percebida na conferência manual.
Nem sempre. Com muitas unidades para fechar, erros passam batido. A automação achou uma fatura de R$ 30 mil onde deviam ser R$ 600.
O que você achou?


